CONSTRUÇÕES NO INTERIOR DO CASTELO
Written by: RCM em 2013-09-18 10:03:24
Há intenção de proceder a construções no interior do castelo de Alcácer do Sal, num terreno por detrás da igreja matriz, de Santa Maria do Castelo, classificada como Imóvel de Interesse Público, dentro do perímetro dos 50 m de protecção legal, ou seja, de área non aedificandi. O terreno em questão está a 2 m de cota superior em relação ao fórum romano da que, sob o nome de Salacia, foi uma das mais importantes cidades no século I da nossa era e não só. Existem, portanto, aí, níveis arqueológicos que nunca foram escavados ou sequer mexidos...
Mais de 90% dos terrenos na envolvência da igreja pertencem a privados, que, naturalmente, vêm demonstrando interesse em construir ou ampliar as suas habitações para depois, possivelmente, venderem. Embora na venda do terreno seja dada preferência de compra à autarquia, uma semana de limite para a resposta é tempo demasiado escasso, devido às naturais burocracias dos municípios para se autorizar a compra de bens a partir de um certo valor. No entanto, nunca se pensaria, em Alcácer, que a Direcção Regional de Cultura desse parecer favorável, na sequência do que tem sido a sua (lógica) atitude no passado, em relação a projectos apresentados, pois que há, da parte dos técnicos, a firme convicção da enorme importância histórico-patrimonial do sítio. E, embora o Gabinete de Arqueologia camarário - por quanto nos é dado saber - tenha contestado por escrito a construção da habitação em causa, a Câmara Municipal autorizou, apoiada, claro, no parecer da Direcção Regional de Cultura. Para agravar a situação, o proprietário deu início às obras sem acompanhamento arqueológico e, também por isso, a obra acabou por ser embargada pela autarquia, até novas indicações da Direcção Regional de Cultura; no entanto, dá a sensação de que… a obra é para continuar!
Escusado será dizer que esta construção, em área de extrema relevância arqueológica, vem abrir um precedente enorme, ou seja, poderá vir a dar cobertura a novas edificações noutras áreas, como a que fica junto à estação arqueológica dos Depósitos de Água e noutros terrenos também privados. A ideia por que se pugna é a de aí se criar um Campo Arqueológico, que envolveria instituições públicas e privadas, para permitir potenciar as sinergias já criadas.




