TEJO INTERNACIONAL: QUERCUS CONTESTA PROPOSTA DE PLANO DE ORDENAMENTO
Written by: Lusa / RCM em 2013-04-18 14:08:17
A associação ambientalista Quercus vai contestar a possibilidade de navegação durante todo o ano nos rios no Parque Natural do Tejo Internacional, medida prevista na proposta de plano de ordenamento que está em consulta pública.
Samuel Infante, dirigente da Quercus em Castelo Branco, disse à agência Lusa que a navegação deve continuar interdita entre os meses de Março e Julho, como hoje acontece, para não prejudicar a nidificação de aves protegidas: Cegonha Preta, Abutre Negro e Abutre do Egipto.
Aquele responsável lamenta que o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já tenha aberto uma excepção, ao autorizar desde 2011 a navegação durante todo o ano de um barco turístico entre Espanha e Castelo Branco e refere que a Quercus vai lutar contra quaisquer outras medidas no mesmo sentido.
Segundo Samuel Infante, pode estar em causa "uma violação da lei relativa às espécies protegidas e à directiva europeia sobre aves", que levou à criação do parque que faz parte da Rede Natura 2000 - rede de áreas a proteger com habitats e espécies selvagens raras, ameaçadas ou vulneráveis na União Europeia.
Em causa, estão os ninhos nas encostas do Rio Tejo, Rio Ponsul e de outros afluentes, sendo que alguns desses ninhos são construídos pelas aves à beira da água e graças aos quais se reproduzem entre Março e Julho.
"Ao contrário do que acontece no Douro Internacional, é fácil passar junto dos ninhos e assustar as aves", tanto mais porque se a proposta de plano de ordenamento avançar, também permite a navegação com canoas, barcos a remo e outros, alerta Samuel Infante.
"Na prática, basta a presença nestes locais, neste período, para prejudicar a nidificação" e poder acabar naqueles locais com o bem de biodiversidade que levou à sua classificação e que pode servir de atractivo turístico.
Samuel Infante avisa: "Podemos estar a matar a galinha dos ovos de ouro por causa de querer navegar durante cinco meses do ano".
O dirigente não admite que haja justificações do ponto de vista turístico que sustentem tal sacrifício ambiental.
"A navegação traz receitas e é bom que o faça, mas sem por em causa a biodiversidade", sublinha.
A propósito de interesse turístico, Samuel Infante sugere ao ICNF que seja instalada a sinalética básica do parque e que o centro interpretativo instalado em Castelo Branco abra portas ao fim de semana.
No parecer a entregar, a Quercus vai ainda pedir informações sobre um estudo que sustenta a possibilidade de navegação ao longo de todo o ano, com base na experiência do lado espanhol.
"Vamos pedir esse estudo", referiu, recordando, no entanto, que, devido ao relevo, "a maioria dos bens relacionados com a biodiversidade estão do lado português do parque".
Segundo Samuel Infante, a Quercus pretende usar "todos os meios ao dispor", inclusive "uma providência cautelar", se necessário, para impedir mais formas de navegação do Parque Natural do Tejo Internacional durante o período de nidificação de aves protegidas.
A associação ambientalista estima que existam 12 casais de Cegonha Preta, quatro de Abutre Preto e entre 10 a 15 de Abutre do Egipto na área portuguesa do parque.
O Parque Natural do Tejo Internacional abrange uma área em que o Rio Tejo constitui a fronteira entre Portugal e Espanha e a área portuguesa engloba partes dos concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova e Vila Velha de Ródão




