ÍNDIA - MAHA KUMBH – O MAIOR EVENTO RELIGIOSO DO MUNDO, visto pelo Jornalista da Rádio Clube de Monsanto.
Written by: RCM em 2013-02-27 14:34:40
São muitas as lendas associadas ao Kumbh Mela, de batalhas entre deuses e demónios, dos deuses do sagrado rio Ganges que desceram a terra em quatro locais da India onde deixaram o néctar da imortalidade, mas todas as histórias nos conduzem à mesma presença divina das gotas da imortalidade que foram deixadas pelos deuses em Allahabad, Nashik, Ujjain e Haridwar. É nestes quatro locais sagrados junto ao Ganges que de forma rotativa e de doze em doze anos se realiza o Kumbh Mela.
Até Março as celebrações têm lugar em Allahabad, o mais importante dos locais onde a cada doze anos tem lugar o Maha Kumbh, o festival completo, num dos locais mais auspiciosos onde se juntam os rios sagrados Yamuna, Saraswati e Ganges.
Este ano, o Kumbh Mela começou no dia 14 de Janeiro. Durante a celebração que decorre até 10 de Março, espera-se que cerca de 100 milhões de devotos realizem o ritual do banho no local de confluência dos três rios sagrados. No passado domingo dia 10, considerado o dia mais auspicioso da maior celebração religiosa do mundo, mais de 30 milhões de pessoas chegaram à cidade de Allahabad, que tem uma população de 1,2 milhão de habitantes.
A chegada de pessoas é constante durante todo o evento, mas dois dias antes do principal dia do festival o número de peregrinos aumentou consideravelmente. Dia e noite famílias inteiras caminharam muitos quilómetros a pé para chegar a Sangam, o local de confluência dos rios sagrados onde a maioria das pessoas vai tomar banho. O trânsito na cidade foi cortado nos pontos de acesso ao Maha Kumbh e as ruas foram inundadas por milhões de pessoas que apenas passam aqui um dia para depois regressarem aos seus locais de origem. Chegam de todos os pontos da Índia, pessoas simples que fazem um enorme esforço físico e monetário para conseguirem estar presentes neste evento religioso. Nos dias mais auspiciosos do festival, que dura 55 dias, é preciso andar muitos quilómetros a pé para chegar a Sangam. O recinto do festival é enorme e está dividido por sectores, onde se podem ver Sadhus, Yogis, Naga Babas ou tantas outras designações destes homens santos que apesar das diferenças aparentes estão todos unidos pela mesma crença no hinduísmo.
Na sua aparência e filosofia o maior evento religioso do mundo permanece multidimensional e surrealista. Milhões de homens sagrados nus, apenas cobertos de cinza, abençoam constantemente os peregrinos que os procuram enquanto fumam charas, uma espécie de hashish ou marijuana. De acordo com as estatísticas há cerca de 5 milhões de Sadhus na Índia, que do ponto de vista legal não estão incluídos nos censos e que estão dados como mortos para a sociedade. O seu poder é enorme, são adorados por toda a gente e tudo lhes é permitido. Têm mais poder do que a polícia e são constantemente procurados pelos devotos que lhes pedem conselhos para os seus problemas.
Frequentemente estes babas abençoam os devotos e dão-lhes cinza, símbolo de poder.
Por esta altura estes homens santos chegam de todos os locais da Índia a Allahabad. Alguns vivem isolados na floresta, outros em templos ou nas montanhas, outros ainda andam constantemente a deambular, sem posses, descalços e sem roupa. A sua iniciação começa geralmente por volta dos 8 anos, quando cortam os laços com a sociedade e com as respectivas famílias que nunca mais voltam a ver. Mas há também casos de pessoas com bons empregos, que ganhavam muito dinheiro e que descontentes com a sociedade em que vivem, abandonaram tudo para se dedicar a esta vida de celibato, cortando todos os laços com a sociedade, renunciando ao sexo e a qualquer tipo de relacionamento com a sociedade. Perto de Sangam numa das ruas que nos leva ao Ganges está situado o sector quatro, um dos mais importantes onde estão os Naga Babas. A maioria deles permanece aqui até Março, mas no dia 10 todos vão para Varanasi, a cidade sempre habitada mais antiga do mundo, a cidade de Shiva, onde todos se juntam para celebrar o Maha Shivratri, em homenagem à deusa Shiva.
27 de Fevereiro de 2013
Rui Pedro Fonseca




