PRESIDENTE DO SINDICATO DE JORNALISTAS CRITICOU FÚRIA LEGISLATIVA DO GOVERNO
Written by: Lusa / RCM em 2012-11-25 11:05:49
O Presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ), Alfredo Maia, criticou ontem a "fúria legislativa" do Governo na área da comunicação social, apontando que a mesma contraria o mandato dos profissionais do sector para servir os cidadãos.
Falando num debate organizado pelo SJ, e que decorreu em Lisboa, Alfredo Maia reiterou que o SJ está na primeira linha na defesa do serviço público noticioso, quer de televisão, rádio e de agência, e falou também da ilegitimidade das forças policiais acederem a imagens de televisão não editadas, os chamados brutos, debate levantado nos últimos dias a propósito da estação pública.
O Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, vai inclusive pedir ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República um parecer sobre a legitimidade da PSP ter acesso a imagens de brutos.
A solicitação surge após Miguel Macedo ter recebido o relatório da PSP sobre o acesso às imagens televisivas não editadas da RTP relativas aos incidentes que ocorreram no dia 14 de Novembro junto à Assembleia da República.
No mesmo debate, que decorreu em Lisboa, o jornalista António Louçã, da Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP, disse que o Brutosgate, nome que atribui ao caso envolvendo a estação pública e a PSP, não surgiu inocentemente, tendo em conta a anunciada privatização da empresa.
Será uma coincidência inocente? Penso que não, questionou.
O encontro de jornalistas, que juntou algumas dezenas de profissionais, focou-se noutros desafios que a classe enfrenta: a precariedade de vínculos e a propriedade dos órgãos de comunicação social foram temas também discutidos por representantes da classe.
Qual o lugar na profissão quando as empresas têm o poder exclusivo de decidir quem entra, quem sai, quem continua na profissão e em que condições?, interrogou o presidente do sindicato.
O encontro de ontem foi também encarado como um passo prévio a um futuro congresso dos jornalistas portugueses, que se poderá também estender à sociedade civil.




