VITOR GASPAR NÃO GARANTE RESULTADOS
Written by: Expresso / RCM em 2012-11-06 14:35:12
O ministro das Finanças admitiu esta manhã, numa reunião com os deputados da comissão parlamentar de acompanhamento do Memorando de Entendimento, que a execução da estratégia orçamental definida pelo Governo após a 5ª reavaliação da troika "não garante que tudo se passará como previsto".
"Em situação de crise, as previsões macroeconómicas tendem a ser menos precisas em termos qualitativos e quantitativos", frisou Vítor Gaspar, lembrando que "vivemos numa situação em que prevalecem riscos e incertezas muito consideráveis", e chamando a atenção para as "perspectivas de evolução da economia europeia singularmente incertas"
Foi neste quadro que o ministro das Finanças sublinhou que o ajustamento português vai demorar bastante tempo. "Vai demorar anos para se assegurar uma posição orçamental prudente", avisou, acrescentando que "serão necessárias algumas décadas para atingir níveis de endividamento público abaixo 60% [do PIB] previstos no Tratado de Lisboa"."
Mais: o objectivo de atingir um défice estrutural de 0,5% do PIB "não será atingido antes de 2015". Segundo o ministro, só a partir de 2014 é que o Estado conseguirá assegurar excedentes primários capazes de reduzir a dívida pública. "
"Seria ilusório e enganador esperar uma solução rápida para este tipo de crise", afirmou Vítor Gaspar, que frisou a importância da redução permanente da despesa do Estado em 4 mil milhões de euros, processo no qual destacou a colaboração do FMI e do Banco Mundial, tendo ainda insistido na importância do envolvimento do PS e dos parceiros sociais. "
Segundo o ministro das Finanças, no âmbito da sexta avaliação, que acontece este mês, estará em foco a revisão da Lei das Finanças Locais e Regionais, cuja submissão ao Parlamento é considerada um objectivo estrutural do programa de ajustamento, e tem de ser concretizada até ao fim de dezembro. "
Ainda no âmbito desta nova avaliação da troika, serão analisadas as condições de financiamento da economia portuguesa, em particular às pequenas e médias empresas (PME). "




