DURANTE TRÊS DIAS 22 ESCRITORES E ILUSTRADORES VÃO ÀS ESCOLAS DE CASTELO BRANCO
Written by: RCM / Público em 2012-10-24 13:04:30
Desde esta quarta-feira e durante três dias, 22 autores portugueses vão espalhar-se por várias escolas de Castelo Branco para conversar com alunos de todos os níveis de escolaridade, do 1.º ciclo ao ensino superior.À noite, encontram-se no Cine-Teatro Avenida e no instituto politécnico da cidade, falam uns com os outros e com a plateia. Escutam guitarra clássica, guitarra portuguesa e viola beiroa.
“A educação que não se preocupe com a literatura não é educação. A cultura que não se preocupe com a educação no seu todo não é cultura”, diz José Pires, professor, escritor e comissário do 1.º Festival Literário de Castelo Branco, que começa nesta quarta-feira.
Na cidade, vão estar os escritores Mário Zambujal, Teolinda Gersão, Ana Maria Magalhães, Adélia Carvalho, José Jorge Letria, Patrícia Reis, Isabel Stilwell, Afonso Cruz, entre outros; os ilustradores Alex Gozblau, Danuta Wojciechowska, André Letria e Yara Kono e o cenógrafo José Manuel Castanheira também marcam presença.
O festival pretende, nas palavras do autor de Este Livro É Uma Casa — E a Tua Escola Mora cá Dentro, “fazer a ligação entre as escolas, a literatura, os hábitos de leitura, a capacidade de perguntar e de se interrogar sobre as coisas através daquilo que se lê, seja nas palavras ou nas imagens que as ilustram”. Tudo isto numa cidade do interior, de média dimensão. “Tenho a certeza de que a vontade e a capacidade de ler, a necessidade de interrogar são iguais em Castelo Branco como em qualquer outro ponto do país”, continua José Pires, que distingue assim o interior do litoral: “O interior do país só é diferente do litoral porque é o interior próximo de Espanha; o litoral é o interior próximo do mar.”
As sessões nas escolas terão como ponto de partida o lema: “Escrever é bom… e ler?” Pergunta de uma criança do 4.º ano de escolaridade depois de saber que a sua escola iria ser visitada por escritores, integrados num festival literário.
“Os autores lêem? O que lêem eles? Será que se lêem uns aos outros? As leituras dos outros e do mundo influenciam a sua escrita? De que forma?”, são algumas das interrogações que José Pires espera que animem os encontros entre alunos e autores.
As noites de quarta a sexta-feira (a partir das 21h) são destinadas a debates. Na primeira, no instituto politécnico, André Letria, David Machado, José Manuel Castanheira e Luís Miguel Rocha tentarão responder à pergunta “A crise é uma oportunidade literária?” (moderação de Maria da Natividade Pires). Na quinta-feira, também no mesmo local, “O interior mal cabe nesta literatura tão litoral” será o pretexto para reunir Adélia Carvalho, Júlio Magalhães e Lopes Marcelo, moderados por Joaquim Martins. Na sexta-feira, no Cine-Teatro Avenida, Afonso Cruz, Isabel Stilwell, Mário Zambujal e Teolinda Gersão irão conversar à volta do tema “Uma literatura politicamente correcta”, com a ajuda de Fernando Paulouro.
Todos os debates terão um momento musical. “Para manter a ideia de que a cultura também é mais do que literatura”, diz José Pires, que se entusiasma ao falar do projecto “Salvem a Guitarra Beiroa”, com actuação marcada para o dia de encerramento do festival. “Vamos mostrar como é que uma viola aqui da terra, com uma nova afinação, pode soar muito próximo da guitarra portuguesa.”
A organização do festival foi partilhada entre a Câmara Municipal de Castelo Branco e a Booktailors, que escolheu os escritores e ilustradores participantes. O programa completo pode ser consultado no sitio da internet da autarquia.




