ASSIM VAI A LIBERDADE DE INFORMAR EM PORTUGAL
Written by: RCM/Dário Economómico em 2012-05-19 12:18:00
Miguel Relvas terá pressionado a direcção do jornal "Público" para evitar a publicação de uma notícia, diz o Conselho de Redacção. Ministro rejeita acusação.
Segundo o comunicado do Conselho de Redacção do jornal, o ministro-adjunto dos Assuntos Parlamentares terá ameaçando provocar um boicote de todos os ministros ao Público e divulgar, na Internet, dados da vida privada da jornalista Maria José Oliveira.
Em causa estava uma notícia sobre eventuais contradições no testemunho do ministro na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na passada terça-feira, num âmbito do caso das secretas.
Contactado pelo Diário Económico, o gabinete de Miguel Relvas admite que o ministro terá feito os referidos telefonemas, mas desmente as ameaças. É totalmente falso, não houve ameaças. Houve um telefonema para a directora e para a editora de política, mas a decisão de não publicar a notícia foi do jornal. Fonte oficial do ministro-adjunto dos Assuntos Parlamentares diz ainda tratar-se de uma questão interna do Público.
No mesmo documento pode ler-se que o ministro fez as ameaças num telefonema à editora de Política, em que também avançou a possibilidade de apresentar queixa à Entidade Reguladora da Comunicação (ERC). O Conselho de Redacção refere ainda que Relvas terá dito que, caso a notícia fosse publicada, promoveria um black out de todos os ministros em relação ao Público e divulgaria, na Internet, dados da vida privada da jornalista. O comunicado sustenta que estas ameaças foram reiteradas num segundo contacto telefónico.
Os membros do Conselho de Redacção acusam Relvas de revelar um desrespeito inadmissível em relação à actividade jornalística, ao jornal Público e à jornalista Maria José Oliveira. E acrescentam que o caso mostra, ainda, uma grosseira distorção do comportamento de um governante que, ao invés de zelar pela liberdade de imprensa, vale-se de ameaças - um acto essencialmente cobarde - para tentar travar um órgão de comunicação social que cumpre o seu inalienável papel de contra-poder.
A direcção do Público reagiu num comunicado, onde se diz surpreendida com a divulgação de um texto dos membros eleitos do Conselho de Redacção, descrevendo-o como inaceitável e uma manipulação intolerável dos factos.
Segundo a direcção do jornal, no dia a seguir à audição parlamentar de Miguel Relvas, a jornalista Maria José Oliveira enviou uma série de perguntas ao ministro que não obtiveram feedback. Face à ausência de resposta, vários editores consideraram não haver motivo para publicar um artigo sobre o tema. A direcção do jornal diz também que só teve conhecimento do telefonema à editora de política, depois de tomar esta decisão.
A seguir a essa consulta, a directora do jornal, Bárbara Reis, protestou junto do ministro Miguel Relvas por ter exercido uma pressão que toda a direcção considera inaceitável, refere ainda o comunicado.




