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VIVER A COMUNICAR

Escrito por Ana Carvalho (Mestre em Comunicação e Jornalismo) em 2016-02-24 15:31:54

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VIVER A COMUNICAR

 

A história de Joaquim Manuel da Fonseca, um comunicador que partilha conhecimento, afeto e alegria de Monsanto para o mundo.

Joaquim Manuel da Fonseca é uma figura incontornável de Monsanto e pode considerar-se o anfitrião da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal. Nasceu na vila de Mêda, distrito da Guarda, a 1 de fevereiro de 1945, no seio de uma família humilde e numerosa. Joaquim é um dos 5 irmãos que, órfão de pai, teve que ajudar a mãe a fazer face às despesas começando a trabalhar aos 16 anos de idade.

Desde criança, Joaquim acalentava uma profunda paixão pela rádio. Na vila eram poucos os afortunados que tinham uma telefonia e um deles era o “Sr. Micas”, proprietário de uma alfaiataria onde o pequeno Joaquim passava alguns serões e onde se deixava encantar pelas vozes e músicas que saíam do idolatrado aparelho. Em 1959, Joaquim Fonseca comunica, pela primeira vez, através de um microfone, para apresentar um grupo de estudantes num espetáculo de variedades e na récita de teatro de férias de Verão, em Mêda. Apresentador e ator foram os papéis desempenhados por Joaquim Fonseca na peça “Auto da Juventude”, da autoria do seu conterrâneo Manuel Daniel. Mais tarde forma-se em Educação Física, no Instituto Superior de Educação Física de Lisboa mas, concluídos os estudos, regressa à cidade da Guarda, onde tinha dado os primeiros passos na arte de comunicar, como produtor, realizador e locutor na Rádio Altitude, ao longo de 15 anos.

Em 1969, deixa as suas raízes para abraçar Timor, mas a comunicação não perdeu lugar no seu coração. Na antiga colónia portuguesa, Joaquim Fonseca ocupou o cargo de adjunto da direção da Emissora Oficial de Timor, em Díli, até 1971, sendo também correspondente da Emissora Nacional no antigo Timor português. A sua ligação com a comunicação foi para além do radialismo e chegou mesmo até aos bancos da escola, tendo sido professor na Escola Industrial e Comercial “Professor Silva Cunha”, em Díli, onde veio a fundar o jornal “Em Frente”.

Regressado a Portugal, continuou o seu serviço enquanto professor na Escola Preparatória General João de Almeida, na Guarda, de 1971 a 1975. No entanto, a independência do povo timorense continuava a ser um tema que lhe era caro, por isso trouxe à estampa, em 1976, o livro “Comissão em Timor”. Entretanto, o seu profissionalismo e o seu poder comunicativo levaram-no a fazer uma breve incursão política, em 1979, na Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, tendo a seu cargo o pelouro da assistência e assuntos sociais. Depois desta curta passagem pela vida política, Joaquim Fonseca assume, entre 1980 e 1995, vários cargos na Escola Preparatória e Secundária de Penamacor, desde Presidente do Conselho Diretivo a Presidente do Conselho Pedagógico e Administrativo.

Na história de Joaquim Fonseca a cultura e a comunicação revelam-se pedras angulares, “Monsanto 1938-1978” é apenas mais um contributo que deixa para a cultura de Monsanto, aldeia que veio a constituir-se como a sua morada permanente. A cultura etnográfica está intimamente ligada à sua vida, facto que fica atestado pelos cargos que desempenhou de 1976 a 1990, como membro do conselho técnico da Federação do Folclore Português, e de 1977 a 1990, como diretor do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Monsanto, tendo sido distinguido, inclusivamente, com a Medalha de Ouro do organismo nacional do Folclore Português. Desde 1996 que Joaquim Manuel da Fonseca é o Director Executivo das Adufeiras de Monsanto, grupo que devido ao seu trabalho contribuiu para a classificação de Idanha-a-Nova como Cidade da Música, no âmbito da Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

A Rádio Clube de Monsanto (RCM) é a maior e mais reconhecida obra que Joaquim Fonseca ajudou a dar corpo. No dia 14 de agosto de 1985 começam as emissões da rádio que ainda hoje dinamiza, deixando de ser apenas co-fundador para passar a ser, até aos dias de hoje, Diretor Executivo da Monsanto Rádio e seu único detentor. Os transístores dos beirões continuam a sintonizar “a companhia amiga” em 98.7 e 107.08 FM, mas na atualidade a RCM pode ser ouvida em todo o mundo em www.radiomonsanto.pt. A estação de rádio local quis chegar até aos emigrantes e conta atualmente com um auditório alargado, que vai mantendo a ligação com as origens através da emissão radiofónica, da página de internet da rádio, que conta com 6.077.085 visitantes até ao momento em que escrevemos este artigo, e da página de Facebook que tem 2.526 gostos.

No ano em que a RCM comemora 31 anos, é tempo de dar destaque ao trabalho desenvolvido por Joaquim Manuel da Fonseca que, de forma plenamente desinteressada e dedicada, sempre viveu a comunicar emprestando a sua voz aos beirões, no passado e no presente, anunciando o “Tempo de gosto e saber, tempo de rádio encanto, tempo de bem conviver na Rádio Clube de Monsanto”.

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Comentários

DELFIM CORRAL
CASTELO BRANCO

Quando o mundo da radiodifusão local e regional vive com nuvens negras no horizonte, Joaquim Manuel da Fonseca é um exemplo de bem sucedido de combatividade e, incansável, mantém a Rádio Clube de Monsanto bem fidelizada e respeitada.
O espectro radiofónico seria extremamente pobre sem as ondas hertzianas da RCM e a História da Rádio não continuaria a ser construída sem este nosso amigo e companheiro.

2016-02-27

MÁRIO SANTOS – CORUCHE

Amigo Joaquim Manuel da Fonseca, fico muito honrado pelo testemunho VIVER A COMUNICAR que partilhou na minha cronologia pessoal.

Estive lendo com muita atenção o texto da Jornalista Ana Carvalho, e tenho a dizer que o amigo tem sido incansável na sua tarefa, não só de informar como de ensinar, não sei se está preparando as suas memórias, espero que sim, mas se ainda as não está escrevendo, é tempo, visto que tem umas memórias muito ricas e importantes para deixar não só a Monsanto, como ao povo Português e ao povo de Timor-Leste.

Estes últimos anos da Rádio Monsanto não têm sido fáceis, mas o amigo Joaquim Manuel da Fonseca, tem lutado muito para conseguir manter a emissora dessa linda Aldeia Mais Portuguesa e o povo informado, só por isso merece o maior respeito e consideração de todos aqueles que o escutam e dos que têm a companhia da Rádio Monsanto vai para 31 anos.

Envio um saudoso abraço para si e para toda a família, beijos da tia Joana e um grande abraço do meu neto Tiago.

2016-02-26

JOAQUIM MANUEL DA FONSECA

MONSANTO - PORTUGAL

Obrigado meu bom amigo e companheiro FERNANDO JORGE RODRIGUES.

É muito consolador saber que as sementes deitadas à terra, no antigo e tão saudoso Timor Português, deram frutos maravilhosos.

Abraço de muita admiração, apreço e gratidão pelo teu testemunho que muito me emocionou.

Saúde, paz e amor para o meu querido antigo aluno Fernando Jorge Rodrigues e sua Família.

Felicidades mil nessas terras da Austrália Ocidental.

2016-02-25

FERNANDO JORGE RODRIGUES

PERTH (AUSTRÁLIA OCIDENTAL)

Muito obrigado amigo irmão Joaquim Manuel da Fonseca, pela partilha da sua linda biografia.
Ainda não me falha a memória e posso lembrar da sua contribuição como professor da Escola Industrial e Comercial "Professor Silva Cunha, na cidade de Díli, o seu envolvimento na Emissora Oficial de Timor, fundador do jornal "Em Frente", que estava associado as actividades da Mocidade Portuguesa.
Nessa altura ainda eu era aluno da Escola Técnica, o termo mais abreviado para essa escola. Foi um prazer não só meu, como de muitos mais alunos, pela sua contribuição em todas essas actividades e, particularmente na Mocidade Portuguesa, cuja disciplina e valores muito nos ensinaram a ser os Homens de hoje com apropriados princípios éticos, numa sociedade diferente daquela que nos viu nascer e que foi o berço da nossa infância.
Um abraço forte meu amigo irmão e, que Deus esteja sempre consigo e com a sua querida família, em todos os momentos da vida.

2016-02-25

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FESTIVAL DE HOMENAGEM A MICHEL GIACOMETTI EM FERREIRA DO ALENTEJO – 30 de Maio a 2 de Junho MÚSICA, GASTRONOMIA, ARTES & OFÍCIOS, DANÇA, ANTROPOLOGIA E CINEMA. Este evento anual, acolhe para si desafios culturais ao chamar um espectacular cartaz nacional e internacional de várias expressões contemporâneas, fazendo co-habitar tradição e atitude inovadora. O incontornável etno-musicólogo da salvaguarda da Cultura Popular Portuguesa, Michel Giacometti, oriundo da Córsega, deixou-nos um manancial de documentos fotográficos, sonoros e escritos, assim como uma extraordinária colecção de instrumentos musicais e objectos etnográficos, uma herança patrimonial determinante para o entendimento do contexto social, político e cultural do mundo português arcaico, infelizmente em desintegração.  Este homem tanto nos inspira e nos estimula na preservação da NOSSA TRADIÇÃO.   ………………………………………………………………   AS GUARDIÃS DA ARTE DE TOCAR ADUFE Dia 1 de Junho em Ferreira do Alentejo   Concerto pelas Adufeiras de Monsanto, numa interligação especial da artista Celina da Piedade, que toca também com dois grupos corais femininos de Ferreira do Alentejo e com o seu convidado especial Tim (vocalista dos Xutos e Pontapés), que invulgarmente vai tocar viola campaniça. O icónico Tim dos Xutos e Pontapés, diz estar encantado de se juntar às Adufeiras de Monsanto, tanto mais que vai ser um momento triunfal pois estarão dois grupos femininos de cante alentejano também em cima do palco.  O grupo das Adufeiras de Monsanto é reconhecido internacionalmente e faz jus às suas raízes nas tradições ancestrais da Aldeia Mais Portuguesa, uma terra rica em lendas ligadas aos rituais da Primavera.  Promovendo o extraordinário património cultural de Monsanto com os seus fatos coloridos, canções e ritmos do adufe, um instrumento feminino por excelência que trespassou contextos religiosos e teve a sua proliferação na Península Ibérica nos séculos XI e XII.  Na sua constituição actual, as Adufeiras de Monsanto, oferecem um autêntico privilégio para os que assistem às suas actuações. A não perder pelas 21:30 na PRAÇA COMENDADOR INFANTE PASSANHA EM FERREIRA DO ALENTEJO.

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CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO NAMORA

NO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO NAMORA UM TESTEMUNHO DE AFONSO ALMEIDA BRANDÃO     Na sua fase inicial de vida é sabido que ainda chegou a exercer Medicina cerca de um ano. Posteriormente, a sua veia de Escritor falou mais forte e acabaria por escrever vários Livros excepcionais que deixaria a Título Póstumo. Conheci o Fernando Namora nos inícios da Década de 80 Anos, da 2º Metade do Séc. XX.   Ele no Inverno refugiava-se na aldeia do Magoito (localidade a cerca de 10 Km. de Sintra), na Vivenda do dono da Editora das EDIÇÕES 70, para escrever. Chegava a ficar por lá 3 a 4 meses alojado. Vinha à Vila almoçar por volta das 15 horas (sempre no Café Lé) e, à noite, ficava por casa a ver TV, outras vezes a ouvir Música Clássica ou a escrever. Invariavelmente, bebia um Chá acompanhado de uma Torradas. Deitava-se, regra geral, entre as 3 e as 4 horas da madrugada.    Eu e o Eng. Eduardo Silva --- o dono das EDIÇÕES 70, à época --- cedia-lhe a sua Vivenda gratuitamente para ele escrever. Raro era o dia em que nós os três não estávamos juntos. EU vivia no Magoito com a minha ex-Mulher (e que por lá continua) e o Eduardo vinha de Lisboa ao Magoito, todos os dias, e ficava instalado na Residencial Central, do velho Nuro Gulamhussen, um comerciante de nacionalidade indiana, mas naturalizado português há muitos anos.      Estas estadias do Fernando Namora, no Inverno, na Aldeia do Magoito, foram frequentes ao longo de vários anos. A Amizade entre AMBOS (Escritor e Editor) era uma Amizade antiga de tempos de Escola e Meninice). Recordo, com saudade, estes encontros.Já lá vão quase 40 Anos, como o Tempo passa, Meu Deus!   Por vezes EU e o Eduardo íamos visitá-lo à noite. Do Centro da Aldeia e do Café onde estávamos, à casa onde se encontrava o Fernando Namora, eram 600 metros, mais coisa-menos coisa. Aparecíamos de surpresa e ele ficava feliz por nos ver.    Numa certa noite chegou mesmo a desabafar: «Ainda bem que vocês apareceram. Estou sem paciência para escrever, não sai nada de jeito... Vamos comemorar, ouvir música e conversar. A escrita fica para amanhã...». E os três acabávamos, assim, por entrar pela Noite dentro, ao som de música Clássica (na maioria das vezes, com trechos de Chopin), tendo como única companhia uma garrafa de Whisky.Velho -- 12 Anos, um pacote de Bolacha Maria e muita conversa animada e bem disposta.   Ambos já não estão entre nós, infelizmente.Tenho Saudades, imensas Saudades deles e daquele Tempo.  São tempos que não voltam mais... nunca mais... Ficaram "enterrados" no Passado...   Recordo-os, agora e hoje, com os olhos marejados de lágrimas, estes dois bons Amigos Nobres --- e que faziam o favor de me aturar e acolher nos seus convívios e serões inesquecíveis...   Paz à Vossa Alma e até um Dia!   Afonso Almeida Brandão

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