FUNDÃO: MANUEL FREXES ADMITE DEIXAR CÂMARA PARA ADMINISTRAR ÁGUAS DE PORTUGAL
Escrito por Lusa / RCM em 2012-01-11 12:58:05
O presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes (PSD), admite que deverá abandonar a autarquia para aceitar o convite para o cargo de administrador da empresa pública Águas de Portugal (AdP).
O autarca disse aguardar pela formalização de todo o processo “na próxima assembleia-geral da AdP, que ainda não tem data marcada” e adiantou que aceitou o convite.
Enquanto autarca, o social-democrata tem sido muito crítico em relação aos sistemas multimunicipais geridos pela Adp, questionando tarifas e opções financeiras da Águas do Zêzere e Côa (AZC), de que o município do Fundão faz parte.
A pouco tempo de mudar de campo, Manuel Frexes afirmou à Lusa que acredita ter “a experiência e o conhecimento das situações para resolver esse difícil dossiê entre municípios e AdP”.
O presidente da Câmara do Fundão adiantou também que se prepara para deixar o cargo que “mais alegria” lhe deu na vida política em que também foi deputado e membro do governo.
Seja como for, a lei impunha que este seria o seu último mandato, pelo que disse ser altura “de aceitar novos desafios”, referindo que “a Câmara do Fundão fica muito bem entregue”.
Paulo Fernandes, até aqui vice-presidente da autarquia, deverá assumir a presidência do município.
Ao mesmo tempo, Manuel Frexes deverá deixar a presidência dos Autarcas Social-Democratas (ASD), a Comissão Política Nacional do PSD (onde tinha assento por inerência), assim como o lugar que ocupava no Comité das Regiões.
O Governo anunciou hoje que está fechada a equipa de administradores da empresa Águas de Portugal (AdP) com a entrada de dois autarcas, um financeiro do Citigroup e o presidente da Águas de Aveiro.
Os quatro elementos juntam-se a Afonso Lobato de Faria que já tinha sido anunciado no início de Dezembro como novo presidente da empresa pública.
Além de Manuel Frexes, integra a equipa Álvaro Castello-Branco (CDS-PP), actual vice-presidente da Câmara do Porto e presidente da empresa municipal de águas.
A Lusa tentou obter uma reacção de Álvaro Castello-Branco mas até ao momento não foi possível.
O PS exigiu hoje ao primeiro-ministro explicações sobre recentes nomeações para empresas públicas, acusando mesmo Passos Coelho de «interferir» na Justiça ao nomear o presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes, para as Águas de Portugal.A posição foi transmitida aos jornalistas pelo vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro, que adiantou que o PS tomará a iniciativa «inédita» de formalizar uma pergunta por escrito ao primeiro-ministro sobre critérios de nomeações.
«Em campanha eleitoral, Pedro Passos Coelho disse que não queria ser eleito [primeiro-ministro] para dar emprego aos amigos e que queria libertar o Estado dos poderes partidários. Neste contexto, o PS pergunta ao primeiro-ministro se está confortável com a avalanche de nomeações de amigos, de nomeações políticas e partidárias?», questionou José Junqueiro.
O dirigente da bancada socialista questionou também Pedro Passos Coelho se «está confortável com as nomeações que o Governo acaba de fazer de dois autarcas para as Águas de Portugal, um dos quais [o presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes] se encontra em litígio com as Águas de Portugal por dívidas acumuladas de cerca de sete milhões de euros?».
«Pela primeira vez, o Grupo Parlamentar do PS vai requerer ao primeiro-ministro explicações sobre estas nomeações, sobre os critérios e sobre a incompatibilidade que o primeiro-ministro sanciona com a sua assinatura nestas nomeações», disse.
Na perspectiva de José Junqueiro, o primeiro-ministro, ao nomear para as Águas de Portugal «o autarca do Fundão, que se encontra em processo litigioso com a empresa, representa uma maneira de interferir com a justiça».
«O senhor primeiro-ministro não pode consentir neste acto. O PS exige-lhe que pare imediatamente esta avalanche de nomeações, que começaram na Caixa Geral de Depósitos, prosseguiram na EDP e estão agora nas Águas de Portugal», afirmou o vice-presidente da bancada do PS.
Interrogado se o PS teme que haja contaminação do processo judicial entre as Águas do Zêzere e a Câmara do Fundão, na sequência da nomeação de Manuel Frexes para a administração das Aguas de Portugal, José Junqueiro considerou «absolutamente incompatível que alguém que deve dinheiro a uma empresa, neste caso à holding Águas de Portugal, passe de devedor a administrador da empresa».
«Vamos fazer-lhe uma pergunta, institucionalmente, através da Assembleia da República, para o primeiro-ministro dar explicações sobre esta agência de empregos para os amigos», acrescentou.





