COVILHÃ ENCERRA AERÓDROMO PARA INSTALAR CENTRO DE DADOS DA PT
Escrito por Lusa / RCM em 2011-06-02 12:11:49
O encerramento do aeródromo da Covilhã para instalação de um centro de dados (data center) da Portugal Telecom é contestado por alguns pilotos, professores e alunos de Engenharia Aeronáutica da Universidade da Beira Interior (UBI).
O investimento da Portugal Telecom (PT) vai rondar 30 a 50 milhões de euros e, segundo o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Carlos Pinto (PSD), «não há alternativa» para a construção daquela infra-estrutura.
O empreendimento será um dos maiores centros de armazenamento de dados da Europa e vai apostar na exportação de capacidade de armazenamento e aplicações, anunciou a PT em Fevereiro.
Um total de 1.813 pessoas já assinaram uma petição criada na Internet pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Aeronáutica da UBI contra o encerramento do aeródromo «que os alunos usam regularmente», refere o documento.
Entre outras actividades, as duas pistas são palco de exercícios da Força Aérea, acolhem meios de combate a fogos e servem para testar aeronaves criadas na universidade - a única para além do Instituto Superior Técnico com formação em Aeronáutica no país.
Pedro Gamboa, presidente do Departamento de Ciências Aeroespaciais da UBI adiantou à Lusa que estão a decorrer «conversas com a PT para tentar conciliar o aeródromo e o ‘data center’» e lamenta não ter recebido «nenhum contacto da autarquia».
O docente considera que o investimento da PT é pretexto para a Câmara aproveitar uma área maior para fins urbanísticos, desprezando «um dos melhores locais do país para planadores, voo à vela e instrução».
A universidade, o Aeroclube da Covilhã e investidores «quiseram criar um centro de voo à vela no aeródromo há dois anos, mas a Câmara não autorizou», lamenta, numa queixa partilhada por Júlio Diniz, director do Aeroclube.
A associação recebeu uma carta do município para abandonar o aeródromo até 15 de Setembro, à qual vai responder que «não faz sentido que se perca esta infra-estrutura».
José Aguiar, arquitecto, piloto e instrutor de planadores, campeão nacional e em Espanha, pede «bom senso» e recomenda que, mesmo que as obras arranquem, «seja poupada a pista principal do aeródromo até que haja uma pista alternativa», que diz custar «cerca de 200 mil euros».
A Serra da Estrela confere à Covilhã «um microclima único para voo e instrução na Península Ibérica e na Europa, uma localização que não se pode perder e que tem todas as condições para se desenvolver».
Contactado esta semana pela agência Lusa, Carlos Pinto, presidente da Câmara da Covilhã, recusou-se a falar sobre o assunto.
No entanto, em declarações a órgãos de informação local no último mês, assegurou que «não há alternativa: a lei dos solos não permite que haja» a área necessária urbanizável para a PT se instalar, sem que isso implique «processos burocráticos que demoram anos».
Para Carlos Pinto, «não se brinca» com o investimento «que mais de cem municípios desejavam» e acredita que até final do ano poderá ser lançado concurso para um novo aeródromo no concelho, na zona de Terlamonte.
Entretanto, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Joaquim Morão, anunciou também em Maio que tem financiamento garantido para construir um novo aeródromo na capital de distrito.





